Principal Diretrizes Curriculares
Diretrizes Curriculares
O Centro Educacional Primeiro Mundo considera de fundamental importância definir, para todos aqueles que direta ou indiretamente participam do trabalho aqui realiza-do, as concepções que sustentam sua prática pedagógica, em seus aspectos teóricos e metodológicos. Por esta razão, elaborou este documento, que contém as DIRETRIZES CURRICULARES, com o objetivo de explicitar a "concepção de educação que norteia sua ação pedagógica".

Os avanços culturais, produzidos pelos grupos sociais no decorrer de sua evolução, não são assegurados pela simples interação do sujeito com o seu ambiente. Por esta razão, cabe à escola exercer uma função socializadora, que possibilite a seus alunos uma participação efetiva como membros ativos e responsáveis na sociedade a que pertencem.

Para que esta participação se concretize, é necessário uma intervenção planificada, onde estejam claras as intenções educativas e as escolhas metodológicas que as orientem. Ter uma proposta curricular sistematizada, ainda que esta não se apresente de forma acabada, em função da concepção de ensino e aprendizagem que na escola se pratica, é tarefa fundamental.

Fundamental é também socializar o nosso trabalho... Ele deve ser conhecido e compartilhado não somente pelos professores que dele participam como autores, mas também pelos pais, por outros parceiros de trabalho e pela comunidade em geral, para que as questões aqui colocadas possam ser discutidas e reavaliadas, sempre com o objetivo de que o ensino recebido pelos nossos alunos seja presidido por princípios de coerência e qualidade.

Um olhar na História

O Centro Educacional Primeiro Mundo trabalha com crianças de Educação Infantil, na faixa etária de um ano e meio aos seis anos, com alunos da 1ª a 8ª séries do Ensino Fundamental e com estudantes do Ensino Médio, sistema implantado gradativamente.

A escola foi criada em 1990, inserida num movimento de renovação pedagógica iniciado no Brasil no final da década de 70, mas que teve uma maior divulgação em meados da década de 80. Este movimento sinaliza para uma proposta de escola diferente do modelo culturalmente aceito e internalizado como "ideal": nesse modelo, ensinar significava "transmitir conhecimentos", o que conferia ao aluno um papel de "receptor" das informações que lhe eram passadas pelo professor.

Esta concepção passa a ser questionada a partir da construção de um novo conceito de educação. No campo epistemológico, os pesquisadores colocam o conhecimento como um processo de interação entre sujeito e objeto, comprometido com as necessidades sócio-culturais. No campo da prática pedagógica, alguns educadores buscam um novo sentido para a relação ensino-apredizagem, redescobrindo o vínculo entre a sala de aula e a realidade social.

Esses novos conhecimentos, que se iniciaram na alfabetização, com os trabalhos desenvolvidos por Emília Ferreiro e Ana Teberosky, fizeram-nos optar por uma concepção construtiva de ensino e aprendizagem.

As mudanças qualitativas observadas na forma de ensinar e os resultados positivos verificaram a adoção dos princípios construtivistas, que começaram a se expandir para as outras séries existentes.

Nesta mesma época, tivemos acesso às concepções de educação escolar, veiculadas pelos psicólogos soviéticos, mais especialmente por Vygotsky, que enfatizava o papel do professor no processo de ensino e a importância de uma metodologia adequada na definição dos resultados da aprendizagem.

A prática pedagógica da escola ia ganhando consistência, os resultados eram cada vez mais positivos e o nosso projeto pedagógico foi ficando cada vez mais estruturado.

Hoje, trabalhamos tendo como princípios norteadores a teoria genética, que enfatiza a construção do conhecimento pelo sujeito considerando suas capacidades cognitivas; a teoria sócio-cultural, que reafirma a importância do ensino na qualidade dos resultados da aprendizagem e os componentes afetivos relacionados, que pontuam a aprendizagem significativa e a importância das expectativas, do interesse e do auto-conceito.

No ano de 1995, com o objetivo de socializar estes conhecimentos e trocar experiências com outros profissionais de educação, foi criado o Centro de Estudos e Formação de Educadores, espaço aberto para trocas pedagógicas, cursos, palestras e outras atividades na área.

O Centro de Estudos tem realizado sucessivos eventos, trazendo para a comunidade escolar a experiência de profissionais de outros estados em diferentes áreas e divulgando também a experiência dos professores da escola, através de relatos de experiências da prática pedagógica.

Princípios norteadores do trabalho pedagógico

A concepção pedagógica que sustenta a intervenção educativa em nossa escola considera que a educação não se restringe a um processo de transmissão de Conteúdos.

Durante muitos anos, essa idéia fazia parte das práticas escolares e os alunos eram levados a reproduzir as informações apresentadas, sem que nenhuma mudança se operasse nos sujeitos, nem nos conhecimentos por eles adquiridos. Tal prática demonstrou que os procedimentos para a aprendizagem, via de regra, não levaram ao desenvolvimento de competências cognitivas, mas a resultados onde os alunos eram capazes de repetir as lições sem compreender o aprendido. As situações de sucesso na aprendizagem ocorriam mais freqüentemente quando as atividades propostas para a avaliação correspondiam aos modelos que tinham sido exercitadas inicialmente. Aprender significava "reproduzir sem mudanças".

Nesta perspectiva, os professores não costumam considerar sua função como a de um educador, mas como a de um especialista que conhece a fundo a matéria que exerce, pela autoridade a ele conferida, com um bom controle sobre a conduta dos alunos...

Para nós, aprender é "atribuir um sentido e construir significados relacionados a um determinado conteúdo, por um processo de construção pessoal". A aprendizagem é um processo ativo, onde o aluno elabora o seu conhecimento com a ajuda do professor. Este tem um papel importante na construção desse conhecimento, tendo como núcleo central do seu trabalho não a matéria que ensina, mas o aluno, que atua sobre a matéria que irá aprender.

Nesse processo, o professor deve ser um mediador entre o aluno e o conhecimento. É reconhecido como alguém que sabe mais e, portanto, é uma fonte de informação valorizada, que intervém no sentido de garantir ao aluno condições favoráveis para aprender. Para realizar suas atividades de ensino, deve planejar e encaminhar atividades, tendo claros os objetivos propostos e a programação estabelecida.

Os conhecimento, objetos da aprendizagem dos alunos na escola, resultam da seleção dos saberes que são relativamente relevantes dentro de uma determinada cultura. A cultura confere significado à atividade humana.

As práticas escolares, no entanto, não devem estar voltadas apenas para o conhecimento da cultura. É preciso que os alunos atuem como produtores dessa mesma cultura, modificando-a, revisando-a criticamente, contribuindo assim para sua renovação.

É dentro deste princípio que os conteúdos escolares são selecionados, levando-se em consideração não apenas o caráter científico, próprio de cada disciplina, mas também a dimensão sociocultural. Isto faz com que a escola seja um espaço de formação, onde a aprendizagem de conteúdos, fatos, conceitos, princípios e atitudes devem possibilitar a inserção do aluno na sociedade.

As capacidades que pretendemos que os alunos construam na escola concretizam-se em objetivos gerais - da educação como um todo, ou específicos - relativos a cada conteúdo tratado dentro do currículo.

Os objetivos gerais definem as metas que se pretende alcançar; orientam a seleção dos conteúdos, a escolha dos encaminhamentos didáticos adequados e constituem o referencial para a avaliação.

São, portanto, objetivos gerais do nosso trabalho:

Possibilitar a participação na vida social, compreendendo a cidadania como um conjunto de direitos e deveres políticos, civis e sociais.
Desenvolver o conhecimento ajustado de si mesmo, o sentimento de confiança em suas capacidades afetiva, cognitiva, física, étnica e estética, de inter-relação pessoal e de inserção social.

Utilizar as diferentes linguagens - verbal, matemática, gráfica, plástica e corporal - como meio para expressar-se e comunicar suas idéias, interpretar e usufruir das produções da cultura.

Saber utilizar diferentes fontes de informação e recursos tecnológicos, compreendo-os e posicionando-se frente a eles, adquirindo e construindo conhecimentos significativos.
Apropriar-se dos conteúdos abordados pelas áreas curriculares, utilizando-os de maneira adequada em situações sociais.

Orientações metodológicas

Aprender um conteúdo implica atribuir-lhe significado. Os conhecimentos que se constróem na escola só têm sentido quando são o resultado de uma interação entre o saber escolar e os outros saberes, ou seja, entre o que o aluno aprende na escola e o que ele traz para a escola. A escola não é a única responsável pela educação. Atualmente divide com outras instituições a responsabilidade pela transmissão e distribuição da informação. Os meios de comunicação - o jornal, a televisão, o rádio, as redes de comunicação a partir do advento da informática, têm se transformado em importantes canais de informação, exigindo da escola mudanças substanciais em suas formas de ensinar.

A construção do conhecimento é o resultado de um processo de elaboração pessoal, em que o aluno seleciona e organiza as informações que lhe chegam pelos diferentes canais - o professor, os colegas, a família e outras experiências externas à escola. Se o aluno consegue estabelecer relações entre a aprendizagem que realiza e seus conhecimentos anteriores, será capaz de atribuir-lhe um significado, construindo uma representação mental do conteúdo que aprendeu, acontecendo, então, uma aprendizagem significativa. Se, ao contrário, ele não consegue estabelecer esta relação, a aprendizagem será puramente repetitiva e mecânica.

Para que uma aprendizagem seja significativa, duas condições devem ser cumpridas:

conteúdo a ser ensinado deve ser potencialmente significativo (o material a ser aprendido tem que ser relevante e bem organizado para que o aluno tenha possibilidades de assimilá-lo). Deve também ser adequado às suas capacidades cognitivas;

aluno deve ter uma disposição favorável para aprender significativamente, isto é, deve estar motivado para relacionar o novo material de aprendizagem com o que ele já sabe;

Estas condições permitem a atuação de elementos que correspondem aos alunos (seu conhecimento prévio), ao conteúdo da aprendizagem professor (que tem a responsabilidade de ajudar com a sua intervenção, o estabelecimento de relações entre o conhecimento prévio dos alunos e o novo material de aprendizagem).

Para que uma atividade pedagógica possa produzir bons resultados, são recomendações necessárias:

partir do que a criança já sabe, considerando a importância dos conhecimentos prévios na aprendizagem. Permitir que os alunos se manifestem sobre os conhecimentos que já possuem, ligados ao conteúdo que irá ser ensinado, possibilita um clima de confiança em relação à capacidade de desempenhar as atividades que foram organizadas pelo professor;

estruturar e organizar a atividade, criando um ambiente disciplinado. Um bom planejamento da aula garante uma previsão da dinâmica a ser desenvolvida na classe e define o nível de participação dos alunos;

estimular a interação na sala de aula, uma vez que a construção de conhecimentos se dá em situações eminentemente sociais;

oferecer modelos. O modelo cumpre um papel fundamental no processo de aprendizagem. Toda liberdade de criação é o resultado do domínio da estrutura básica do objeto que será transformado (o modelo). Todos os grandes nomes que revolucionaram algum aspecto do conhecimento começaram dominando um modelo e por isso foram capazes de construir algo novo. Para que Picasso e Miró se transformassem nos famosos pintores que são, tiveram primeiro que dominar as formas clássicas. Para ser um grande poeta que brinca com as palavras, é preciso conhecê-las na sua essência. Para se escrever uma boa carta é preciso, primeiramente, conhecer as características próprias deste tipo de texto, para depois poder produzir outro de boa qualidade. Quanto mais informações e acesso a diferentes modelos os alunos tiverem, maior será a chance de avançarem, criando formas próprias de entender a realidade e expressá-la.

Uma opção metodológica que atenda aos aspectos acima mencionados diz respeito ao trabalho com projetos. Os projetos, - definidos, construídos e avaliados coletivamente pelo grupo de alunos e professor, se configuram como produto de uma interação. Dão à atividade de aprender um sentido novo, onde as necessidades de aprendizagem surgem das próprias crianças, na tentativa de resolver situações problemáticas. Neles, os alunos sabem "o que" e "para que" estão aprendendo.

A opção pela metodologia de projetos permite a construção de um ambiente cooperativo, onde as experiências de interação favorecem um clima democrático possibilitando aos alunos:

exercitarem sua autonomia, fazendo escolhas, participando das decisões do grupo e planejando o trabalho de forma cooperativa;
tomarem-se responsáveis pelo planejamento, execução e avaliação das atividades previstas para o desenvolvimento do projeto;
serem sujeitos de sua própria aprendizagem.

Conteúdo curriculares:

Língua Portuguesa

Embora a escola não seja o único lugar onde se aprende a língua materna, é nela que a linguagem - falada e, principalmente, a escrita - é ensinada de forma sistemática, com a finalidade de permitir que o aluno possa desenvolver sua competência para produzir textos orais e escritos.

A Língua Portuguesa, língua oficial falada e escrita em nosso país, é o resultado de uma construção sociocultural e por isto sujeita a transformações. Tem-se modificado não só no seu uso mas, principalmente, nas concepções que sustentam as práticas pedagógicas realizadas nas escolas.

Se de forma particular fazemos referência à Língua Portuguesa para situá-la dentro de um espaço histórico, geográfico e humano, para entender os processos de ensino-aprendizagem a ela relacionados vamos considerá-la em suas características universais.

A língua é um sistema indispensável para resolver alguns problemas que a sociedade tem colocado. É também um importante instrumento de comunicação e de interação, pois é através dela que o homem tem acesso à informação, expressa e defende pontos de vista, partilha ou constrói visões de mundo, conhece e transforma a sua cultura, produzindo conhecimento. Por esta razão, o ensino da língua ocupa um lugar de importância nos currículos escolares.

A língua existe na escola porque existe fora dela. Durante algum tempo, a escola distanciou-se desta afirmação, na medida em que transformou a língua em objeto exclusivamente escolar, esquecendo suas funções extra-escolares, razão da sua existência como objeto de conhecimento nos currículos escolares.

Sua aprendizagem era considerada como um processo de codificação/decodificação de letras em sons e memorização de normas descontextualizadas, através de leituras e produções de textos que eram buscados apenas em livros didáticos.

A esta prática, seguiam-se exercícios gramaticais que deveriam ser memorizados pelos alunos para aprender suas regras e treinos ortográficos, que tinham como objetivo manter, sob rígido controle, a grafia das palavras, Tanto a língua oral quanto a escrita são objetos que evoluem. As razões para manter dentro de certos limites a norma ortográfica estabelecida é apenas convenção para permitir a comunicação à distância entre falantes que compartilham a mesma língua.

Hoje, sabemos que o ensino da língua na escola não pode perder de vista sua função social. Para que o homem possa realmente participar da vida social de seu grupo, precisa ter níveis de leitura e escrita diferentes e bem superiores aos que eram exigidos até bem pouco tempo atrás, pela complexidade das diferentes situações de uso da linguagem nas sociedades modernas. Precisamos utilizar da linguagem para:

consultar materiais escritos, recuperar conhecimentos produzidos anteriormente (textos informativos, anotações importantes, receitas, etc.);

receber e transmitir informações ou opiniões atualizadas (jornais, revistas, etc.);
compartilhar idéias ou formas de perceber o mundo (leitura de obras literárias);

comunicar com pessoas distantes (cartas, telegramas, convites, correio eletrônico, etc.);

divertir-se com a linguagem (jogos, palavras cruzadas, anedotários, etc.);

refletir sobre um tema e algumas vezes escrever sobre ele.

Portanto, para se trabalhar com a diversidade textual é preciso que a escola tome possível aos alunos o acesso a diferentes textos, suportes e atos de leitura, tal como existem fora dela.

Princípios norteadores

A leitura e a escrita não podem ser consideradas como atividades estritamente escolares. Em função das práticas sociais que vivência na família e na comunidade, a criança tem, desde muito cedo, a capacidade de ler e escrever, considerando-se como tal, as pseudo-leituras e escritas que realiza em suas brincadeiras.

A escola deve, portanto, desde a educação infantil, iniciar um trabalho de letramento, permitindo que as crianças entrem em contato com os diferentes textos que circulam no mundo, conhecendo suas funções sociais, permitindo que elas leiam e escrevam, ainda que esta leitura e escrita não se processem de forma convencional.

Em sua trajetória escolar, o aluno vai, gradativamente, aprendendo os diferentes usos e formas da linguagem falada e adquirindo a linguagem escrita, suas normas e a variedade específica dos textos escritos, de forma sistemática e planejada.

Para se ensinar a língua em situação real, o texto deve ser privilegiado como forma de aprendizagem, já que ele acontece num espaço de interlocução. A escola deve priorizar, no ensino da língua, situações de produção de linguagem, onde o aluno é o escritor ou o produtor da fala, e situações de compreensão textual, onde o aluno é o receptor de uma mensagem escrita (pela leitura) ou oral.

Se para viver socialmente o aluno precisa aprender a produzir e interpretar textos, não se pode tomar como unidade básica de ensino, nem a letra, nem a sílaba, nem a palavra, nem a frase, pois estas se apresentam usualmente de forma descontextualizada, não possibilitando o desenvolvimento da competência discursiva necessária. Isto não significa que não se trabalhe com palavras ou frases; elas apenas deixam de ser as únicas unidades lingüísticas em torno das quais o ensino da língua se realiza.

Em relação ao ensino-aprendizagem da Língua Portuguesa, pretendemos que os alunos:

produzam diferentes tipos de textos, orais e escritos, dentro de suas capacidades, para utilizá-los em situações sociais variadas;

compreendam os textos orais e escritos, sabendo interpretá-los, de acordo com suas capacidades, em relação ao conteúdo e à forma apresentada, levando-se em conta a intencionalidade de quem os produz;

desenvolvam o gosto pela leitura, seja como fonte de informação ou de prazer;

utilizem a linguagem como fonte de aprendizagem, para apropriação dos diferentes conteúdos que compõem o currículo;

aprendam a pensar sobre a língua, para melhorar sua produção textual e a capacidade de compreensão de outros textos, tanto em situações de comunicação oral ou escrita;

conheçam as características dos diferentes gêneros orais e escritos e as formas próprias dos diferentes tipos de textos (narração, descrição e argumentação);

utilizem a linguagem para melhorar a qualidade de suas relações pessoais e interpessoais.

Orientações metodológicas

Tendo em vista os princípios norteadores e os objetivos gerais propostos para o ensino da língua na escola, alguns aspectos devem ser observados.

O material de ensino utilizado pelo professor deve apresentar uma diversidade textual para permitir ao aluno ampliar o contato com os variados textos tais como os encontra fora da escola. Na interação com esses modelos, poderá, progressivamente, aprender suas características e o modo de funcionamento da língua escrita.

A produção de textos orais e escritos são atividades importantes e devem ser realizadas dentro dos diferentes projetos em andamento, ou em outros momentos de aprendizagem, desde que ocorram em situações reais de comunicação e uso social. As atividades meramente escolarizadas (textos, pretextos ou pseudo-textos), não têm sentido nem permitem uma aprendizagem significativa.

Além de atividades de produção de textos, é preciso também organizar situações interessantes de escuta de textos, principalmente de linguagem escrita. Este aspecto nos remete para a prática de leitura, que deve ir além do livro didático, acontecendo também de forma variada e em portadores textuais diferentes. O trabalho com a diversidade textual ajuda substancialmente na formação de leitores e escritores competentes.

As estratégias de leitura propostas devem ativar o conhecimento prévio do aluno, no que se refere tanto no uso e função social de um determinado texto, como ao seu tema, ou mesmo aos seus recursos lingüísticas. Isto possibilita também uma aprendizagem verdadeiramente significativa, já que o aluno é capaz de estabelecer relações entre o conhecimento novo e os seus conhecimentos anteriores, podendo, desta forma, ampliá-los, modificá-los ou reestruturá-los.

A escola deve imitar as formas sociais de leitura que ocorrem no mundo. Neste, a leitura nunca é um fim em si mesmo, mas sim um meio.

Lê-se porque se tem um objetivo ou uma necessidade pessoal.

É importante também lembrar que a leitura e a escrita são atos interativos, ou seja, a leitura de um determinado tipo de texto pode facilitar a sua escrita, assim como a escrita de um determinado tipo de texto pode facilitar a sua compreensão. Desta forma, é importante propor que o aluno se coloque, na maioria das vezes, como leitor e escritor dos textos trabalhados. Cabe ao professor promover esta interação na sala de aula.

No trabalho sistemático com cada tipo de texto, devem ser priorizadas em diferentes atividades determinadas análises textuais. No texto há uma confluência de diversos elementos: função social, tipo de texto, marcas lingüísticas que o caracterizam, etc. Trabalhar todos estes elementos de uma só vez é uma atividade muito complexa para um leitor/escritor iniciante. Este procedimento toma o trabalho mais sistemático e permite ao professor e aos alunos avaliarem as competências adquiridas durante o processo.

Resta lembrar ainda a importância de um trabalho didático desenvolvido sob a forma de projetos. Os projetos permitem aos alunos atribuírem maior significado ao estudo, planejando, executando e avaliando suas atividades, conjuntamente com o professor, tomando decisões durante o desenvolvimento das mesmas, interagindo com o grupo.

Matemática

A matemática tem sido considerada, através dos tempos, como a ciência da quantidade e do espaço, cujas principais características dizem respeito à sua natureza lógica e às suas propriedades ligadas à exatidão e à educação.

Nos tempos atuais, o conceito de exatidão divide lugar com outras teorias como a das probabilidades, que usam a estimativa, fazendo com que o conceito de exatidão tenha um papel diferente.

A estimativa é uma estratégia utilizada para trabalhar com os números em situações reais. Permite uma previsão e um controle de valores numéricos, sendo amplamente utilizada pela economia (fixação de taxas, impostos etc.) e pelas pessoas nas tarefas domésticas, dentre outras. Está presente também em situações-problema, na impossibilidade de determinação de um valor exato, além de estar sujeito a limitações humanas e carência de instrumentos apropriados para um tratamento numérico apropriado.

O caráter dedutivo da matemática é válido quando se considera o conhecimento já elaborado. Mas a aprendizagem deste conhecimento, em termos de apropriação individual pelo aluno, é um processo construtivo que implica a utilização de um modo de raciocínio dedutivo, mas também indutivo.

Um outro aspecto importante a ser considerado é o de que o conhecimento matemático não é apenas, o resultado da acumulação de descobertas. Por ser também de natureza social, tem passado por reestrurações, em função de sua trajetória sócio-histórica.

Princípios norteadores

A matemática, tratada como conteúdo escolar, tem que levar em consideração algumas questões fundamentais para o bom desenvolvimento do ensino. Poderíamos colocar como Importantes os seguintes aspectos:

Para explorar os conceitos matemáticos na sala de aula, o professor precisa buscar situações familiares que dêem sentido àquilo que ele quer ensinar; a Matemática, enquanto ciência é apresentada de forma geral e descontextualizada, já que não é preocupação do matemático comunicar o processo que produziu determinados resultados. No entanto, para que ela possa ser compreendida pelos alunos, é preciso estar contextualizada. Através de um processo de análise, conduzido pelo professor, o aluno vai percebendo que o conhecimento aprendido pode ser aplicado em várias situações reais, construindo assim, os conceitos matemáticos.

Espera-se que o conhecimento aprendido não se restrinja a experiências concretas e limitadas, mas que seja generalizado, transferido para outros contextos, transformando o saber escolar em saber matemático com características universais.

A competência do sujeito no que diz respeito ao conhecimento matemático será tão maior quanto mais significativas forem as atividades que ele realiza. O conteúdo da matemática deve estar relacionado com o conteúdo das demais disciplinas e com as experiências cotidianas dos alunos.

A aprendizagem da matemática não acontece de uma só vez. Na maioria das vezes, é preciso voltar atrás, reproduzir, com o objetivo de compreender o que se faz e porque se faz, cabendo ao professor orientar os alunos para esse aspecto.

Em relação ao ensino e aprendizagem da matemática, pretendemos que os alunos:

Utilizem conceitos e procedimentos matemáticos para resolver situações-problema, avaliando a adequação das estratégias em relação aos resultados.

Desenvolvam formas de raciocínio para resolver processos cujas soluções se relacionem com dedução, indução, analogia e estimativa.

Sejam capazes de selecionar e organizar, produzir e analisar informações relacionadas aos aspectos quantitativos, geométricos e métricos.

Comuniquem-se matematicamente, fazendo uso da linguagem oral e escrita.

Estabeleçam relações entre o conhecimento matemático e conhecimentos de outras áreas curriculares.

Construam o significado do número racional e de suas representações (fracionário e decimal), a partir de seus diferentes usos no contexto social.

Utilizem a calculadora como meio para refletir sobre procedimentos de cálculo que levem à ampliação do significado do número e das operações, possibilitando formas de verificação de resultados.

Utilizem procedimentos e instrumentos de medida, selecionando aquele que é mais adequado para resolver a situação-problema apresentada.

Vivenciem processos de solução de problemas, percebendo que para resolvê-los é preciso compreender para depois executar um plano de solução, verificar e comunicar a resposta.

Orientações

Metodológicas

No processo de ensino-aprendizagem da matemática, o ponto de partida não deve ser a memorização de uma definição, mas sim a utilização de problemas que possam levar o aluno a usar algum tipo de estratégia para resolvê-los.

O problema leva a uma aprendizagem significativa. O aluno interpreta o enunciado da questão que lhe é proposta, confronta com seus conhecimentos prévios estrutura a situação que lhe é apresentada, na busca de uma solução.

O problema não é um exercício onde o aluno realiza de forma mecânica uma fórmula ou um processo operatório. É uma situação em que o sujeito precisa construir uma seqüência de ações ou operações para obter um resultado.

O problema leva à tomada de decisão, sobre qual é a melhor estratégia a ser utilizada, fazendo com que o aluno mobilize seus conhecimentos, desenvolvendo a autonomia e a criativIdade.

O professor deve ser um orientador competente na escolha dos problemas, adequando-os às capacidades cognitivas e sociais das crianças. É preciso mostra-lhes que uns problemas podem ser resolvidos mais rapidamente do que outros; que existem problemas que podem ser resolvidos de várias maneiras diferentes; que para resolvê-los, é preciso compreender bem a situação proposta, etc. O professor não é aquele que somente expõe o conteúdo aos alunos, mas o que fornece as informações necessárias para que o aluno possa chegar à solução.

O professor deve, ainda, estimular a cooperação e a interação entre os alunos, pois ela é tão importante quanto a interação adulto-criança. A cooperação ocorre na medida em que se valoriza a troca de experiências entre pares, o respeito pelo pensamento e pela produção do outro e o intercâmbio de idéias, como fontes de aprendizagem.

Na organização do trabalho pedagógico, as atividades podem ser resolvidas sob a forma de jogos, de relatórios de análise das situações do cotidiano e de tarefas que sistematizem as noções que estão sendo construídas. Estas tarefas, no entanto, precisam estar relacionadas aos contextos vividos pelos alunos, ser adequadas às suas formas de pensar, devendo ser, portanto, significativas.

Além dos jogos, o trabalho na área da matemática deve ser desenvolvido através de projetos. Os projetos podem estar relacionados especificamente ao conteúdo matemático, mas podem também integrar outras áreas do currículo.

Ao fazer uso do conhecimento matemático para esclarecer ou investigar problemas de outras áreas, os alunos poderão ampliar sua visão sobre a própria matemática, como algo que resulta também de um conhecimento construído pelos homens, um instrumento de cultura, que tem relações com outras disciplinas, influenciando e sendo influencIada por outros saberes.

Ciências

O ensino de Ciências, assim como outras áreas de conteúdo tratados

tematicamente na escola, vem passando por profundas transformações em decorrência de modificações conceituais e sociais relacionadas ao seu objeto de conhecimento.

O ensino de Ciências na escola tem se orientado, no decorrer dos tempos, por diferentes tendências. Embora buscassem atender à necessidade do currículo, no sentido de responder aos avanços do conhecimento científico, os caminhos metodológicos que sustentavam o trabalho eram bastante diversos. Uns privilegiavam programas de ensino que utilizavam instruções programadas, divididas em módulos de aprendizagem; outros, elaboravam projetos de ensino que se caracterizavam basicamente pela produção de textos para treinamento de professores e de material experimental para alunos, valorizando não apenas o conteúdo a ser ensinado, mas também a importância do trabalho do cientista. As atividades pedagógicas realizadas caracterizavam-se fundamentalmente por experiências práticas realizadas pelo professor e assistidas pelos alunos.

A cada dia, maior era o número de professores que utilizavam atividades práticas em suas aulas de ciências. No entanto, o objetivo fundamental consistia em permitir ao aluno, através da observação sobre um fato, identificar um problema, levantar hipóteses, testá-las e tirar suas próprias conclusões. O aluno tinha que redescobrir a ciência, apropriar-se de sua forma de trabalho, compreendendo o método científico, que seguia uma seqüência rígida de etapas pré- estabelecidas. Tal prática acabou se colocando como único caminho possível para aprendizagem de conceitos, o método científico.

Foi somente em meados da década de 80 que se tornou evidente, no âmbito das discussões sobre o ensino das Ciências, a impossibilidade de reprodução do pensamento cientifico, através de um método, bem como a fragilidade da experimentação como único meio para redescoberta das idéias que a Ciência construiu ao longo dos anos.

Princípios norteadores

Numa sociedade marcada pelo desenvolvimento e pela tecnologia, não é possível pensarmos na formação de um cidadão que não tenha acesso ao saber científico. A ciência e a tecnologia fazem parte do nosso cotidiano e não é mais possível compreender um mundo sem conhecê-las.

Ensinar Ciências no Ensino Fundamental significa permitir ao aluno ver a ciência como um instrumento para compreensão e transformação do nosso mundo. Os objetivos gerais da educação em Ciências devem procurar garantir aos alunos a compreensão da relação entre os seres humanos entre si e destes com seu meio natural, superando a postura científica de mero contemplador da natureza, considerando o mundo natural e o significado social-produtivo dos conteúdos desenvolvidos e de suas aplicações.

O conhecimento sobre "como a natureza se comporta e como a vida se processa" torna-se um instrumental para que o aluno se posicione de forma consciente acerca de questões cruciais para a sobrevivência da espécie humana em nosso planeta.

O ensino de Ciências deve ser o espaço privilegiado para diferentes explicações sobre os fenômenos naturais, desenvolvendo uma postura reflexiva sobre eles, possibilitando a compreensão dos limites existentes em cada modelo explicativo, permitindo a construção da autonomia do aluno.

Em relação ao ensino-aprendizagem de Ciências, pretendemos que os alunos:

Identifiquem o conhecimento científico como resultado da produção das gerações que os antecederam (contexto histórico-filosófico).

Desenvolvam hábitos de saúde e cuidado corporal, concebendo a saúde pessoal, social e ambiental como itens individuais e da coletividade que precisam ser preservados e potencializado (física, mental e espiritual).

Aprendam, com curiosidade e interesse buscando e organizando informações, com autonomia e responsabilidade na realização de usas tarefas como estudantes (projetos).

Orientações

metodológicas

O professor é o responsável pelo planejamento dos temas a serem desenvolvidos na classe, selecionando e adequando os conteúdos à realidade do seu grupo de trabalho (conhecer a realidade social dos aluno).

A utilização de projetos para o desenvolvimento dos temas escolhidos é bastante recomendada, já que permitem a adequação de conteúdos e uma aprendizagem significativa. O professor pode usar como problematização alguns conceitos que desestabilizam os conhecimentos prévios dos alunos, criando situações onde se estabeleçam os conflitos necessários, para que novos conhecimentos se processem.

A prática da observação é também fundamentalmente importante para o ensino de Ciência. As atividades de observação poderão ser realizadas em ambientes naturais, como parques, matas, jardins, etc. ou através de outros materiais, como por exemplo, softwares, com os quais os alunos possam interagir. Desenvolver a capacidade de observação exige desafios e problemas propostos pelo professor de forma a motivar os alunos a perceber o problema, cada vez de forma mais completa.

A experimentação é um procedimento também muito importante, mas o professor precisa permitir que os próprios alunos manipulem materiais ao invés de apenas assistirem a sua demonstração. As aulas podem ser elaboradas conjuntamente, pelo professor e alunos, elaborando um planejamento sobre o que será realizado, discutindo seu desenvolvimento, seus resultados, elaborando anotações sobre os dados encontrados. O trabalho com projetos é também muito importante na área de Ciências.

Ciências Sociais

O ensino-aprendizagem dos conteúdos relacionados à História e à

Geografia tem um importante papel dentro da escola. São eles que vão permitir aos alunos se situarem dentro do espaço histórico-geográfico em que vivem, compreendendo as inter-relações que se estabelecem entre os sujeitos, seu meio e sua cultura.

As Ciências Sociais têm um papel muito importante na compreensão da realidade.

Tradicionalmente, o ensino de História caracterizou-se pela descrição de fatos e acontecimentos a serem memorizados com nomes, datas e locais, transmitido em conteúdos previamente elaborados, com conceitos prontos e acabados que o aluno tinha que memorizar, sendo nas aulas um ouvinte atento e silencioso.

A Geografia, seguindo a mesma linha, também era apresentada através de textos, que descreviam os aspectos do espaço geográfico, predominantemente o físico, espaços esses abordados isoladamente, onde os homens não eram vistos como os sujeitos que o constroem e reconstroem historicamente, quando se organizam em sociedade.

Hoje, é função da Geografia compreender a produção do espaço geográfico e da História, estudar a realidade social, procurando conhecer as transformações vividas pelas sociedades humanas.

Princípios norteadores

Ao chegar à escola, a criança já tem algumas representações sobre a vida social, como resultado de informações assimiladas por ela nas relações e vínculo estabelecidos com a família e com a comunidade, através dos meios de comunicação de massa. Essas informações são incorporadas de acordo com o grau de compreensão que ela tem da realidade. A criança interpreta as informações, constrói representações, dando sentido e significado a esta realidade.

A realidade é o ponto de partida no processo de construção do conhecimento; dela se extraem os elementos para pensar o mundo. Cada parcela da realidade tem, ao mesmo tempo, uma singularidade e uma totalidade. Entender o "aqui" e o "agora" significa entender simultaneamente o longínquo e o mundo. A compreensão da realidade requer um processo de ir e vir no espaço, do próximo ao distante, numa continuidade em que ambos se explicam.

Um trabalho pedagógico com a História e a Geografia deve iniciar com a introdução de algumas noções básicas de tempo e espaço, de semelhança e diferença, de permanência e mudança, de natureza e cultura, de forma a permitir a análise e a compreensão dos processos de transformações sociais.

A tendências da História hoje é de procurar compreender o social que se faz presente em todos os seus momentos, abandonando a História factual, que trata momentos isolados das atividades humanas como meros acontecimentos a serem recompostos na linha do tempo. A História busca na ação (social, política, econômica e cultural) dos sujeitos, o movimento da História dos homens para entender a construção coletiva e a produção social em toda a sua extensão.

Em relação à Geografia, é fundamental compreender a dimensão espacial dessa mesma realidade, buscando compreender a produção/organização, a apropriação/utilização racional do espaço natural e preservação do espaço geográfico, como resultado histórico da relação sociedade/natureza.

Quando o aluno começa a refletir sobre sua realidade imediata, sobre seu cotidiano, ele começa a ter condições de compreender o mundo, porque passa a ter noção de que as transformações ocorridas na natureza são feitas pelos homens, através do trabalho e, dependendo da maneira como esses homens se relacionam entre si, o espaço vai adquirindo formas que materializam essas relações.

A escola tem como função contribuir para que o cidadão construa os conhecimentos básicos necessários da realidade social, na qual está inserido, através de uma análise da produção e da organização do espaço geográfico.

Em relação ao ensino-aprendizagem da Geografia e da História, pretendemos que os alunos:

Iniciem uma reflexão histórica a partir da realidade vivida.

Construam conceitos essenciais ao conhecimento histórico, apropriando-se da condição da pensar historicamente a sua realidade.

Desenvolvam a capacidade de observar, interpretar e analisar a realidade a partir da sua dimensão espacial, buscando compreendê-la, tendo a qualidade de vida como parâmetro de valor e de perspectiva de mudança.

Construam noções básicas ligadas ao conceito de espaço geográfico, compreendendo-o como produto das relações entre os grupos sociais, na transformação histórica da natureza.

Compreendam a importância de se conhecer o passado histórico para melhor compreender o presente.

Sintam-se como sujeitos do conhecimento, para que possam sentir-se como sujeitos da história.

Aprendam a valorizar a justiça e a solidariedade, o respeito mútuo e a participação, como condições fundamentais para o exercício da cidadania.

Assumam uma postura de agentes transformadores para assumirem atitudes críticas diante de informações e de idéias que lhes sejam apresentadas.

Orientações

metodológicas

O ensino da História e da Geografia deverá fundamentar-se na experiência das crianças, a partir de seu cotidiano e da sua percepção da realidade vivida. O conhecimento se processará a partir de problemas que se levantam e devem se constituir no ponto de partida para a elaboração do pensar e fazer histórico e geográfico.

O papel do professor, neste contexto, consiste em criar situações que despertem a curiosidade e desenvolvam o pensamento dos alunos, através de atividades significativas de experiências sociais, que se constituirão como ponto de partida para o estabelecimento de relações com outras realidades em tempos e espaços mais distantes.

A proposta da organização do trabalho pedagógico e partir de projetos é favorecer ao professor a criação de estratégias de organização dos conteúdos de forma a permitir um tratamento significativo da informação e o estabelecimento de relação entre as diferentes áreas, para solução de problemas, possibilitando ao aluno a construção de conhecimentos em Ciências Sociais.

Além de possibilitar um enfoque globalizador do ensino-aprendizagem os projetos abrem espaços para o tratamento dos temas sociais que transversalizam os conteúdos, sem a necessidade de se criar novas áreas, favorecendo a interdisciplinaridade. Um outro aspecto importante é o de que os projetos ampliam a noção de conteúdo para além de fatos e conceitos, incorporando a estes a aprendizagem de valores, normas, atitudes e procedimentos.

Artes

Numa perspectiva educacional, a Arte é concebida como construção e

patrimônio do ser humano, devendo, portanto, ser apropriada por todos,

razão pela qual deve fazer parte do currículo escolar.

Além do patrimônio cultural, a Arte permite que o sujeito observe a natureza e o mundo onde vive e atua: a disposição das cores, as diferentes formas, a sonoridade do ambiente, o comportamento das pessoas, analisando-os segundo critérios de semelhança e diferenças, de proporções e distorções, de permanências e de mudança...

Uma atividade que desenvolva a capacidade de observar um determinado espaço ou situação certamente favorece uma leitura de estruturas sonoras, plásticas, dramáticas, que ampliam o conhecimento, contribuindo para compreensão de diferentes formas de expressão e para ampliação da própria criatividade.

Princípios norteadores

O trabalho na área de Artes deve ser estruturado a partir de três eixos: o fazer artístico, a apreciação e estética e a História da Arte.

As atividades do fazer possibilitam o desenvolvimento do processo criativo, permitindo às crianças trabalharem com formas bidimensionais (desenho, recorte, colagem), mas também tridimensionais ( modelagem, escultura, construção de ambientes com caixas ou outros objetos), utilizando linhas, cores, formas e volumes.

Fazer teatro valoriza a imaginação e a fantasia, possibilita o exercício de colocar-se no lugar do outro, proporcionando uma descentralização cognitiva, uma coordenação de diversos pontos de vista e a internalização de novas ações, promovendo a cooperação entre pares.

Fazer música e dança desenvolve o gosto estético e aprende-se a utilizá-las como meio de expressão.

O desenvolvimento da apreciação estética se dá através da observação das produções artísticas, como também da discussão de assuntos relativos à arte, veiculados pelos mais diferentes meios, dentro e fora da escola.

O conhecimento sobre a Arte permite que o aluno a compreenda como uma forma encontrada pelo homem para expressar a realidade vivida, enquanto sujeito, integrante de um grupo social em determinado momento da história.

Em relação ao ensino aprendizagem da arte, pretende-se que os alunos:

Compreendam a importância da arte no desenvolvimento de uma cultura.

Entendam a arte como forma de expressão, situada num contexto sócio-histórico.

Desenvolvam sua criatividade em variadas formas de expressão.

Desenvolvam o gosto estético.

Construam conhecimento em arte, estabelecendo relações entre as diferentes produções artísticas e o momento histórico-social de uma criação.

Orientações

metodológicas

O professor de Artes, ao planejar suas intervenções, deve priorizar projetos que permitam aos alunos uma aprendizagem significativa, seja em relação a algumas contribuições sócio-históricas na área, seja sobre a produção específica de um ou outro autor.

Estudar Arte e fazer arte são ações criadoras, que só podem ser alcançadas através de uma didática também criadora. O professor deve, portanto trazer para sala de aula obras diversificadas e promover o contato dos alunos com as mesmas, permitindo, desta forma uma participação ativa e reflexiva sobre Arte e sobre o fazer artístico de cada aluno.

Educação Física

Num projeto educativo sustentado por uma concepção construtivista sócio-interacionista de ensino aprendizagem, a expressão corporal tem um

papel relevante no processo de apropriação do conhecimento.

A Educação Física, enquanto componente curricular dentro desta concepção de Educação, tem como finalidade principal propiciar ao aluno entender, aprender, criticar e transmitir seus conteúdos, interrelacionando-os com seu cotidiano e com sua realidade sócio-política-econômica em busca de criação de um novo modelo de sociedade, onde na expressão de Manuel Sérgio (1987): "O ser prevaleça sobre o ter e o poder."

Princípios Norteadores

O homem é seu corpo. Dessa forma, não existe nenhuma ação que não se expresse através do corpo.

A corporeidade é nossa condição de presença, participação e significação no mundo. A partir destas afirmativas, a motricidade humana é o medidor do homem ser corporal no mundo. É através da motricidade que o homem reproduz, cria, critica e transforma seu cotidiano.

Cabe ao professor planejar situações estratégicas de ensino, nas quais os conteúdos e atividades estejam adequadas ao nível de desenvolvimento físico, motor, cognitivo e afetivo-emocional dos alunos.

Neste sentido, pretende-se que os alunos em Educação Física:

Desenvolvam-se integralmente, do ponto de vista físico, cognitivo, social e afetivo

Identifiquem-se como seres pensantes, críticos, transformadores, sociais e responsáveis, utilizando o movimento como forma de expressão.

Organizem seus próprios jogos e elaborem regras para o desenvolvimento dos mesmos.

Vivenciem situações de jogos recreativos e desportivos, sob regras oficiais e adaptadas.

Desenvolvam o pensamento técnico-tático, individual e coletivo através de situações reais e simuladas.

Reconheçam suas capacidades, aceitando e superando suas limitações técnicas e/ou motoras.

Orientações

metodológicas

O professor precisa conhecer o desenvolvimento físico, motor, cognitivo e afetivo-emocional dos alunos, ao planejar suas atividades.

Estas, como todas as outras do currículo, devem ser significativas, garantindo a globalização das

e ações educativas como também a inter-disciplinariedade.

Língua Estrangeira

Num mundo de intercâmbios internacionais científicos, comerciais e culturais, é cada vez mais freqüente o ensino das Línguas Estrangeiras Modernas como elemento indispensável para formação do indivíduo.

O objetivo geral do estudo de uma língua Estrangeira Moderna é contribuir para a formação e o desenvolvimento social, cultural, psicológico e afetivo do aluno, dando-lhe conhecimento gerais que o permitam efetuar estudos posteriores mais complexos ou encaminhar-se para o trabalho.

Neste início de milênio, a Língua Estrangeira dominante no mundo é o inglês. O aluno capaz de dominar este idioma tem acesso a novos conhecimentos (informação científica, tecnológica e cultural) que podem levá-lo a um aprofundamento intelectual pelo estabelecimento de relações com outras áreas do conhecimento. Consequentemente, terá condições de compreender e contribuir de maneira ativa e integrada com a sociedade em que vive.

Acreditando em que nossos alunos necessitem ser cidadãos do terceiro milênio e, como tal, utilizem o instrumento de comunicação desse tempo, a abordagem do ensino de inglês passa do âmbito da Língua Estrangeira para o da segunda língua.

Para aprender uma segunda língua, é necessário que o aluno tenha contato diário com pessoas que só se comuniquem nesse idioma e que criem situações onde o uso dessa língua seja o meio para a comunicação acontecer. Para tanto, pretende-se que:

A utilização do inglês seja efetiva não só na aula de inglês, como também em situações cotidianas da escola.

Os alunos utilizem a língua inglesa para interagir com diferentes tipos de textos e meios de comunicação presentes no mundo atual.

A leitura de mundo de cada aluno seja ampliada através de sua familiarização com a diversidade cultural que existe no mundo.

A língua inglesa efetivamente incorpore-se ao cotidiano do aluno de maneira natural e significativa.

Para a concretização dessa proposta, o professor será o mediador desse processo, adaptando situações e necessidades de acordo com cada faixa etária e interesses dos alunos. O processo-ensino aprendizagem será centrado no aluno, respeitando suas diferenças e interesses.

Todos os meios de comunicação (jornais, revistas, TV e Internet) serão utilizados para garantir o processo.

Informática

As transformações do final do século, em que a era industrial dá lugar

à era da informática, trazem a necessidade de produção de conhecimentos e de sujeitos que têm disposição para aprender novas formas de pensar.

A escola, enquanto instituição formadora do homem que interessa à sociedade, tem que definir "que modelo de homem quer desenvolver e para qual modelo de sociedade".

A produção tecnológica, em suas diferentes formas e usos, tem se constituído, nos dias atuais, em uns dos principais agentes de transformações sociais, pelas modificações por elas trazidas no cotidiano das pessoas, de um modo geral.

No grande universo das técnicas, destacam-se as que se relacionam à informação, consideradas como as principais responsáveis pelas mudanças aceleradas que se processam nas comunicações-mais rápida e mais diretas, a cada dia.

Princípios norteadores

Por esta razão, a cultura escolar, tradicionalmente constituída pela oralidade e pela escrita, depara-se com este desafio: adaptar-se às novas formas de comunicar e de conhecer.

O conhecimento por simulação - típico da cultura da informática - faz com que o computador seja visto como um recurso didático cada dia mais indispensável. O computador desempenha hoje um importante papel na escola, pelas inúmeras possibilidades que viabiliza na construção de conhecimento. Além da produção de softwares educacionais, que podem ser largamente utilizados em todas as disciplinas do currículo, sua presença como via de acesso à diferentes situações de aprendizagem já não tem sido mais questionada. A cada dia, aumentam as atividades de ensino-aprendizagem que podem ser veiculadas pelo computador.

O uso dos computadores na aprendizagem possibilita o desenvolvimento cognitivo, pois além de permitir que cada aluno avance dentro do seu ritmo, permite também que ele aprenda com seus erros. Na concepção construtivista, o erro é considerado como parte integrante do processo e é condição para que haja avanços. O erro permite a análise, a revisão e, consequentemente, a mudança de comportamento.

Em conseqüência destas colocações, espera-se que o ensino-aprendizagem da informática permita que os alunos:

Tenham acesso às novas formas de comunicar e conhecer.

Aprendam a usar o computador como um instrumento motivador nas tarefas exploratórias e de investigação.

Compreendam a importância do uso dos meios tecnológicos disponíveis na sociedade contemporânea.

Orientações

metodológicas

É importante ressaltar que o trabalho didático com o computador não deve ser realizado de forma mecânica e descontextualizada. Os recursos oferecidos pela informática devem contribuir para a formação integral do aluno com vistas à conquista da cidadania.

O computador é um excelente meio de auto-expressão criativa. Os computadores podem ser utilizados para acentuar as habilidades criativas tais como escrever, desenhar e outras, proporcionando um trabalho dinâmico e prazeroso.

A avaliação no currículo

Nos últimos anos, as questões relativas à avaliação têm dominado o cenário pedagógico, transformando-se num dos temas centrais de análise, reflexão e debates, numa tentativa de compreender o seu papel no processo ensino-aprendizagem.

Durante um longo período na história da prática pedagógica, a avaliação foi considerada como um resultado que correspondia usualmente ao final da aprendizagem de um determinado conteúdo. Era considerada como um produto quantificável, onde a aprendizagem podia ser medida em momentos isolados, pela repetição, via memorização, de alguns recortes do conteúdo, dados de forma isoladas.

A atividade da avaliação era caracterizada por um ritual que consistia em exames ou provas aos quais os alunos eram submetidos. Na sua grande maioria, as questões que compunham o material avaliativo eram de caráter fechado, levando os alunos a reproduzirem, com o mínimo de variações possíveis, dados, noções ou conceitos que tivessem sido estudados anteriormente, relacionados com o conteúdo a ser avaliado. O erro era algo intolerável, sendo grande a preocupação com a sua fixação e à avaliação atribuía-se uma nota, que sintetizava toda aprendizagem e definia todo o futuro do aluno.

O conhecimento da concepção construtivista, trazendo a idéia de que o erro faz parte do processo de aprendizagem, começa desestabilizar esta prática e a avaliação, nos moldes até então processados, começa a passar por um processo de mudanças.

Se concebemos a aprendizagem como um processo de construção de conhecimento que envolve a dimensão cognitiva e também a dimensão orgânica e afetiva, onde os conteúdos escolares são significativos e contextualizados com o objetivo de formação permanente do aluno, a avaliação passa a ter um importante papel entre a aprendizagem do aluno e a atuação do professor.

A avaliação não deve se constituir apenas num julgamento de sucessos e fracassos do aluno, do professor e da escola, mas, fundamentalmente, ser um dos componentes do ensino-aprendizagem que possibilita uma tomada de consciência não só do professor, mas também do aluno, sobre seus resultados, em relação aos seus objetivos propostos, orientando e ajustando a intervenção pedagógica às necessidades de aprendizagem a às possibilidades dos alunos.

Uma avaliação consistente deve procurar responder a algumas questões, ou seja:

O que avaliar - o objetivo proposto pela atividade de ensino.

Para que avaliar - para verificar em que condições se deu a aprendizagem, se o resultado alcançado foi satisfatório, ou que ajustes são necessários ainda serem feitos.

Quando avaliar - de forma contínua, considerando o processo de aprendizagem como um todo. Quem avalia não é somente o professor, mas também os alunos, que, em função dos objetivos propostos, analisam seu desempenho e traçam metas futuras para a sua própria aprendizagem.

Neste sentido, a avaliação se dá em momentos diferentes, sendo necessário:

Uma avaliação inicial, para saber quais são os conhecimentos que os alunos já têm sobre determinado conteúdo, valores e atitudes à eles correspondentes, a fim de que o professor possa planejar sua intervenção de acordo com os conhecimentos prévios que os alunos trazem:

Uma avaliação contínua, que necessariamente deve acompanhar todo o processo.

Uma avaliação final, para identificar os resultados finais obtidos em relação aos objetivos propostos.

Os resultados da avaliação servem para que o professor reflita sobre sua prática, retomando aspectos que devem ser revistos, faça ajustes no processo de conhecimento dos alunos, ao invés de funcionar como um instrumento de punição por aquilo que ele não aprendeu. É preciso considerar que a aprendizagem não acontece na mesma medida em que se ensina e que depende dos conhecimentos prévios de cada sujeito.

Para o aluno, a avaliação deve funcionar como um instrumento de reflexão de suas conquistas, dificuldades e possibilidades de reorganização do conhecimento aprendido.

Considerações gerais

Explicitar, ainda que de forma sucinta sobre um trabalho tão extenso não é tarefa fácil, mas temos consciência da sua necessidade e importância.

Este texto é fruto de muita reflexão e constitui hoje o ideário pedagógico da nossa escola - nossas concepções, nossas ações e intenções educacionais. Apesar do esforço, achamos que valeu a pena, pois permitirá uma ampla interlocução com a comunidade escolar do Centro Educacional Primeiro Mundo.

Como já dissemos no início deste documento, ele não é fechado. Está posto de forma clara - pelo menos assim o supomos - e está democraticamente aberto a debates com os pais que nos confiaram a tarefa de educar sistematicamente seus filhos e com aqueles que de alguma forma se preocupam em realizar um trabalho educativo de qualidade, com responsabilidade.
 

ENEM

Ranking das escolas particulares e públicas do ENEM 2008

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